domingo, 1 de fevereiro de 2009

Triste Bahia

Tentei escrever um texto simples sobre a Bahia, não deu.
A complexidade de Salvador não caberia em um relato conexo.
Não, Salvador não é nada simples.
Triste Bahia.

Saí do Rio de Janeiro e fui pra Bahia.
Cheguei na Bahia e vi o Rio de Janeiro.
Voltei da Bahia e vi o Rio de Janeiro.
Semelhante Bahia.

Em Salvador, vi a beleza de uma cidade histórica.
Belos locais e belas praias, as quais quero retornar.
Um povo de grande cultura, de grande identidade.
Bahia, Brasil, Bahia.

Em Salvador se escondia também a pobreza.
A pobreza enfeava a beleza?
A beleza deveria esconder a pobreza?
Desigual Bahia.

Lugares proibidos, para onde o povo foi varrido.
Lugares onde a pobreza se esconde.
Lugares que as autoridades não querem mostrar.
Esquecida Bahia.

Uma cidade com uma efervescência cultural estonteante.
Uma cidade com desigualdades que não estão em cartão postal.
Triste Rio de Janeiro.
Triste Bahia.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Farsante profissional

Em meio a um início de ano cheio de planos, buscas por conquistas profissionais e pessoais, tenho uma intrigante constatação ao invadir a cozinha de madrugada: eu sou uma farsa!

Para alguns, vivo em um mundo criado, um mundo idealizado, não real. Não que eu não me considere como os outros habitantes do terceiro planeta do sistema solar, contudo, segundo as más línguas, às vezes minha cabeça está ao redor do nosso satélite natural, chegando até mesmo ao nono corpo celeste, seja ele um planeta ou não. Melhor dizendo, não tenho noção da realidade.

Já que a característica principal da minha pessoa já foi definida por terceiros, em um tom de auto-análise totalmente freudiana busco a definição de farsa no Aurélio:

Farsa (substantivo feminino). 1. Peça cômica de um só ato e ação burlesca. 2. Logro, embuste.

Continuando na busca e seguindo os preceitos de Freud, descubro também que embuste significa mentira artificiosa, logro e que logro, remete a trapaça e ao ato e efeito de lograr, ou seja, gozar ou até mesmo produzir o resultado que se esperava.

Grande Aurélio, com seu conhecimento quase infinito sobre a língua portuguesa.

Analisando os conceitos, e assim decifrando-me, entendo primeiramente que a minha vida daria uma peça cômica. Até aí tudo normal. Colocando na balança erros e acertos, cada um tem seus momentos trágicos e alegres. Faz parte do cotidiano. Faz parte de quem se arrisca.

Agora vem a parte difícil, pois tenho que justificar o meu lado logro, o meu lado embuste. É uma característica ruim. Me afasta dos demais, dos bem sucedidos, que têm um objetivo planejado na vida.
Porém, se à primeira vista, não tenho muita salvação, percebo que a mentira é um caso de escolha. Por um certo dom, tenho a profissão do mentiroso, do trapaceiro. Por vontade própria escolhi a Arte como ganha pão.

Ao escrever, através de ardilosos artifícios, busco a mentira, busco desviar a atenção do leitor ou do público, logro, mas levo ao êxtase. Posso assim ludibriar, zombar, gozar e ser aplaudido ao fazê-lo.
Bendito ofício do escritor, que possibilita brincar com sentimentos catárticos, que permite gerar o riso, a raiva ou o choro dos demais, tratando a todos como títeres e mesmo assim alcançar os céus.

Releio o que escrevi acima e me pergunto se não está um texto confuso, algo difícil de entender a uma primeira leitura. Porém, não seria uma auto-decifração se não fosse ininteligível, que mesmo assim, faz todo um sentido para mim.

Sim, sou uma farsa, mas uma farsa consciente dos meus atos, mesmo quando burlesco aos olhos alheios. Sou um farsante profissional e vivo muito bem com isso.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

brain

Me pediram um auto-retrato, mas como fazer uma análise de algo que conheço tão de perto e que ao mesmo tempo me surpreende a cada dia?

Pouco a escrever e algo para se ver...

brain

por luiz giban

http://br.youtube.com/watch?v=Qs9yJw-QUZc

terça-feira, 29 de julho de 2008

Nós organizamos o movimento / Nós orientamos o carnaval

É incrível o quanto um modo de viver pode perseguir uma pessoa.
Cada vez mais retorno no tempo, volto décadas atrás e paro na década de 1970.

[O Parangolé é uma peça que me cobre e me faz descobrir a mim mesmo]

Não importa o quanto o tempo avance, permeio sempre entre os mesmos dez anos. Não são só roupas, tatuagens e cabelos que crescem sem controle, mas também um processo mental, uma maneira de pensar.



[A memória agora é editada pelo celular]

Ano passado a incursão/excursão havia começado. Vi Caetano, Maria Bethânia, Tom Zé e Mutantes... Senti e ouvi toda a contribuição que a Tropicália faz ressoar em meu cérebro. Vivi e sobrevivi a uma idade linda, porém trágica.

[Não rimo mais amor com dor]

Descobri que as certezas da vida não precisam ser tão certas assim. É possível planejar sem cercear. É possível deixar tudo fluir sem querer dominar o mundo, mas conseguindo voar por ele.

[Certo como dois e dois são cinco]

Volto de uma semana em que nada se deveu a épocas passadas. Onde mudar o mundo através da arte se tornou novamente algo possível, algo crível. Encontrei meus iguais espalhados pelos mil cantos do Brasil.

[Nós organizamos o movimento / Nós orientamos o carnaval]

São companheiros de bares e de idéias que vão durar para todo o sempre.
Foi bom enquanto durou e vai durar para a eternidade.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Tempo, tempo, tempo, tempo...

A essa hora da madrugada não tenho a mínima pretensão de escrever a crônica da minha vida. De escrever algo que mude os rumos da humanidade. Porém, agora, às três da manhã, tendo acordado no meio da madrugada com insônia, misturada com uma sensação febril, pensei: por que não escrever?

Faz tempo que não tenho tempo para escrever nada. Esses dias curtos, com apenas vinte e quatro horas, nos fazem correr contra tudo e todos. Hora certa para dormir, hora certa para acordar, hora certa para se divertir.
Idealizo projetos que levarão tempo para serem realizados, projetos que têm tempo curto para serem colocados em prática.

É fato, somos açoitados pelo Tempo. Ele cerceia inclusive a nossa capacidade criativa. Nós deveríamos ter, governamentalmente, um período do dia chamado: “tempo de ócio produtivo”. Assim, os pintores amadores teriam seu tempo para pintar e criar; os fotógrafos poderiam buscar o melhor enquadramento; os semi-músicos poderiam compor uma nova canção; e por aí vai.
Repito, o que já disse anteriormente: essa não será a minha melhor crônica, nem sei o quanto ela está confusa e ininteligível, porém, de madrugada, com os olhos não muito abertos, foi o tempo que me restou para escrever...